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Brasil teve quase 900 mil ataques a jornalistas em 2025, diz Abert



O Brasil registrou cerca de 900 mil ataques virtuais contra jornalistas ao longo de 2025, de acordo com o Relatório sobre Violações à Liberdade de Expressão divulgado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) nesta terça-feira (7), Dia do Jornalista.


O número representa uma média de aproximadamente 2,5 mil agressões por dia, ou cerca de duas ofensas por minuto, e corresponde a um aumento de 35% em relação a 2024.


Segundo os dados compilados pela empresa Bites em parceria com a Abert, em 2024 o país havia registrado cerca de 704 mil publicações ofensivas direcionadas a profissionais da imprensa — o menor índice desde o início da contagem.





Além dos ataques virtuais, o relatório identificou 66 casos de violência não letal ocorridos em 2025, envolvendo ao menos 80 jornalistas e veículos de comunicação. Embora esses episódios representem uma queda de 9,1% no número de ocorrências e de 5% no total de vítimas em comparação ao ano anterior, eles ainda demonstram que a violência física contra a imprensa persiste, com registros em média a cada cinco dias.


Entre os termos mais frequentemente usados nas agressões estão palavras como “lixo”, “podre”, “velha”, “canalha” e “golpista”, direcionadas tanto à mídia quanto aos profissionais de imprensa. Parte desse aumento nas ofensas está associada à reação de perfis insatisfeitos com a condenação de envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.


O estudo aponta também que a maioria das vítimas foram homens e que profissionais de emissoras de televisão concentraram a maior parte dos ataques. No levantamento dos responsáveis pelas agressões, políticos e ocupantes de cargos públicos figuram entre os principais autores, seguidos por torcedores e integrantes de grupos ligados ao futebol.

Uso de IA contra a imprensa


O relatório destaca ainda a atuação de conteúdos gerados com o uso de inteligência artificial (IA) para reforçar percepções negativas sobre o jornalismo. Entre as publicações analisadas, predominam questionamentos sobre um suposto viés ideológico dos veículos de comunicação e críticas à escolha de pautas consideradas relevantes pela mídia.

Governo cria diretrizes de proteção


Em resposta aos dados alarmantes sobre ataques à imprensa, o governo federal assinou nesta terça-feira uma portaria que institui um protocolo nacional de investigação de crimes contra jornalistas e comunicadores sociais. A medida foi firmada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, em cerimônia no Palácio do Planalto.


A portaria, elaborada no âmbito do Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, estabelece diretrizes para a atuação de órgãos de segurança pública na apuração de crimes praticados em razão da atividade jornalística. O objetivo é fortalecer a prevenção, a investigação e a responsabilização de delitos contra profissionais da imprensa, além de ampliar a cooperação entre instituições e garantir maior proteção às vítimas.

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