CONSTITUIÇÃO DESRESPEITADA E SIGILO A FONTE DE JORNALISTA TAMBÉM: Trump avalia nova sanção contra Moraes em meio à escalada de tensão entre EUA e Brasil
- Redação 24Hrs - www.acrealerta.com.br

- há 40 minutos
- 3 min de leitura
Atualizado: há 33 minutos
O recado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ganhou força neste domingo (16), em meio às crescentes críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A administração americana voltou a discutir a possibilidade de aplicar novas sanções contra o magistrado, segundo informações divulgadas pelo jornal britânico Financial Times. A possível medida ocorre em um cenário de agravamento das tensões diplomáticas entre Washington e Brasília.
Segundo pessoas familiarizadas com as discussões ouvidas pelo jornal, a administração Trump considera novamente utilizar a Lei Global Magnitsky contra Moraes, mecanismo adotado pelos Estados Unidos para impor sanções a estrangeiros acusados de corrupção ou de graves violações de direitos humanos. Até o momento, não existe uma decisão definitiva sobre a aplicação da medida.

Moraes já havia sido alvo da Lei Magnitsky em julho de 2025. Na ocasião, o governo americano acusou o ministro de promover medidas que, na avaliação de Washington, envolviam censura, detenções arbitrárias e processos considerados politizados, inclusive em ações relacionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
As sanções foram retiradas em dezembro de 2025, menos de cinco meses após sua aplicação. Naquele período, a retirada ocorreu em meio a uma aproximação entre os governos Trump e Lula. A medida também havia atingido a esposa de Moraes e uma empresa ligada à família do ministro.
Investigação envolvendo jornalista aumenta tensão
De acordo com o Financial Times, a atuação de Moraes voltou a chamar a atenção do governo americano após uma investigação que reacendeu o debate sobre liberdade de imprensa no Brasil.
O ministro autorizou operações policiais contra um jornalista e duas pessoas apontadas como possíveis fontes de reportagens envolvendo o ministro Flávio Dino e familiares. Moraes sustentou que as informações teriam sido obtidas e divulgadas ilegalmente e que sua publicação poderia representar risco à segurança de seus familiares.
Até a publicação da reportagem do jornal britânico, a Casa Branca, o Departamento de Estado americano e o STF não haviam apresentado manifestação sobre a possibilidade de novas sanções.
Relação entre Brasil e Estados Unidos se deteriora
A discussão sobre Moraes ocorre paralelamente a uma nova fase de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. Em julho, o governo americano anunciou tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros, após uma investigação baseada na Seção 301 da legislação comercial dos EUA.
Washington alegou que práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, tarifas, etanol e combate ao desmatamento prejudicariam empresas e trabalhadores americanos.
Outra medida estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros. Segundo cálculos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as novas medidas atingem cerca de 23,1% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos.
Na última semana, o governo Lula iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica, que pode resultar na adoção de contramedidas às tarifas americanas. Brasília também solicitou novas consultas diplomáticas com Washington e classificou as sobretaxas como injustificadas.
A possível retomada das sanções contra Moraes ocorre ainda às vésperas da eleição presidencial brasileira de outubro e em meio a divergências políticas entre os dois governos.
Moraes se tornou uma das principais figuras do embate entre o governo Trump e o Judiciário brasileiro. Enquanto aliados do ministro defendem que sua atuação foi importante para conter ataques às instituições e campanhas de desinformação, críticos, incluindo integrantes do governo americano, acusam o magistrado de extrapolar suas atribuições e restringir a liberdade de expressão.
Segundo uma das fontes ouvidas pelo Financial Times, a possibilidade de restabelecer as sanções contra Moraes está novamente sob análise em Washington. Outra pessoa familiarizada com as discussões afirmou ao jornal que as preocupações do governo americano com a atuação do ministro nunca desapareceram.


















Comentários