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Parece coincidência? Dois casos distintos: Moraes autoriza ação contra jornalista após caso envolvendo Dino e manda prender contador por esquema de vazamento de dados de autoridades

O Brasil acompanha dois casos distintos que ganharam grande repercussão nas últimas semanas e envolvem decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). De um lado, a investigação contra um jornalista após reportagens envolvendo o ministro Flávio Dino; do outro, a prisão de um contador suspeito de liderar um esquema de vazamento de dados fiscais de autoridades.


No primeiro caso, o jornalista Luís Pablo Conceição Almeida foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado por Moraes. A medida ocorreu após publicações envolvendo suposto uso de veículo oficial por familiares de Flávio Dino. Segundo informações da investigação, há suspeita de que o jornalista tenha acessado ou monitorado informações sensíveis relacionadas à segurança da autoridade.



De acordo com a Polícia Federal, a apuração não está relacionada à censura ou ao conteúdo jornalístico em si, mas sim à possível prática de monitoramento ilegal e divulgação de dados considerados sigilosos. O caso foi aberto a partir de pedido da própria PF, com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).


Já em um segundo caso, sem relação direta confirmada com o primeiro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva do contador Washington Travassos de Azevedo, de 52 anos. A prisão foi cumprida pela Polícia Federal no dia 13 de março, dentro de uma investigação que apura o vazamento de dados fiscais de autoridades brasileiras.


Segundo a PF, o contador é apontado como um dos mandantes de uma organização criminosa que teria acessado ilegalmente informações da Declaração de Imposto de Renda de pelo menos 1.819 pessoas, incluindo ministros, parlamentares, ex-autoridades e empresários. Esses dados, conforme a investigação, eram posteriormente vendidos de forma clandestina.


Após a prisão, Azevedo passou por audiência de custódia, quando a Justiça decidiu manter a detenção. A operação é desdobramento de ações realizadas em fevereiro, que incluíram buscas em três estados contra servidores públicos suspeitos de participação no esquema que expõe autoridades.


A Receita Federal informou que já havia iniciado auditoria interna nos arquivos públicos para identificar possíveis irregularidades no acesso a dados fiscais e reforçou que os sistemas são rastreáveis, permitindo a responsabilização de envolvidos em eventuais desvios, inclusive na esfera criminal.

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