PF rejeita delação de ex-dono do Banco Master e cobra devolução de R$ 60 bilhões em esquema bilionário
- Gabriel Oliveira - Portal www.acrealerta.com.br

- há 2 dias
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A Polícia Federal rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como principal nome por trás das supostas fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master. Segundo investigadores, as informações entregues pelo empresário foram consideradas fracas, repetitivas e insuficientes para justificar um acordo de colaboração.
As apurações indicam que Vorcaro tentou negociar benefícios judiciais sem apresentar provas inéditas ou detalhes relevantes que ajudassem a avançar nas investigações da Operação Compliance Zero. Integrantes da PF afirmam que os relatos apresentados pelo ex-banqueiro continham apenas informações que já eram de conhecimento das autoridades.

Além disso, investigadores apontaram falta de boa-fé na tentativa de colaboração. Conforme a avaliação da Polícia Federal, o empresário teria buscado minimizar ou justificar crimes atribuídos a ele, contrariando as regras da delação premiada, que exigem admissão completa dos atos ilícitos praticados.
A defesa de Vorcaro ainda tenta costurar um acordo diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR), sem participação da PF. No entanto, para que a negociação avance, os procuradores precisariam aceitar informações já rejeitadas pelos investigadores e ainda obter aval do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Outro ponto que travou as negociações foi a proposta de ressarcimento apresentada pelo ex-banqueiro. Vorcaro teria oferecido devolver cerca de R$ 40 bilhões ao longo de dez anos, enquanto PF e PGR defendem a recuperação de pelo menos R$ 60 bilhões em prazo menor.
O rombo envolvendo o Banco Master já ultrapassa R$ 57 bilhões, segundo estimativas divulgadas nas investigações. Desse total, aproximadamente R$ 51,8 bilhões deverão ser pagos a clientes pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo bancário utilizado para cobrir prejuízos de correntistas e investidores.
Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar para o exterior. A Polícia Federal sustenta que havia risco de fuga, enquanto a defesa alegou que ele viajaria para reuniões com investidores interessados na compra do Banco Master.
Após ser solto dias depois, o empresário voltou a ser preso em março deste ano durante nova fase da Operação Compliance Zero. Atualmente, permanece detido na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
Nesta semana, Vorcaro foi transferido para uma cela comum da PF em Brasília. Até então, ocupava a cela preparada anteriormente para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar.
















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