Segundo vazamento em mina da Vale é registrado em menos de 24 horas em Congonhas (MG)
- Redação 24Hrs

- 26 de jan.
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Um segundo episódio de extravasamento envolvendo estruturas da mineradora Vale foi registrado em menos de 24 horas na região central de Minas Gerais. O novo caso ocorreu na noite deste domingo (25), na Mina Viga, localizada em Congonhas (MG), no mesmo dia em que a tragédia de Brumadinho completou sete anos.
De acordo com informações da Prefeitura de Congonhas, o incidente envolveu o extravasamento de um sump — estrutura utilizada para drenagem de água no processo de mineração.
Segundo a Defesa Civil municipal, houve lançamento de água com sedimentos no Rio Maranhão, mas, até o momento, não há registro de comunidades diretamente atingidas nem de bloqueio de vias. O impacto identificado é considerado de natureza ambiental.
O episódio ocorre menos de um dia após outro vazamento ter sido registrado na Mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG), também operada pela Vale. A região vem sendo atingida por fortes chuvas nos últimos dias, o que, segundo autoridades, contribuiu para o aumento do volume de água nas estruturas de contenção.

Em nota, a Prefeitura de Congonhas lamentou o ocorrido, destacando que se trata da segunda ocorrência em locais distintos em um intervalo inferior a 24 horas. Nesta segunda-feira (26), equipes da Defesa Civil seguem monitorando a área, enquanto a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas avalia os impactos ambientais e as providências cabíveis.
A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) cobrou a suspensão da licença de operação da Vale, citando preocupações com a segurança das estruturas. Segundo o mandato da parlamentar, a estrutura onde ocorreu o primeiro vazamento não constava no Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração (SIGBM), mantido pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
“Estruturas de contenção fora desse cadastro criam zonas cegas de risco e dificultam a responsabilização”, afirmou a deputada em publicação nas redes sociais. Após o segundo vazamento, ela voltou a se manifestar, afirmando que a atividade mineradora não estaria preparada para enfrentar o agravamento das condições climáticas.
Após o primeiro episódio, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, determinou que a ANM adote fiscalização rigorosa e apure responsabilidades pelo extravasamento registrado em Ouro Preto. Em ofício encaminhado à agência, o ministro solicitou a análise de todas as estruturas impactadas, com possibilidade de interdição das operações, conforme avaliação técnica.
Segundo o ministério, também foi determinada a articulação com órgãos federais, estaduais e municipais, incluindo defesas civis e entidades ambientais, além da abertura de processo administrativo para apuração das responsabilidades, com rigor e celeridade.
O prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), afirmou que esteve no local e explicou que o extravasamento ocorreu devido ao acúmulo de água intensificado pelas chuvas recentes, que ultrapassou a capacidade do reservatório. Segundo ele, cerca de 200 mil metros cúbicos de água teriam escoado pela região, transportando sedimentos ao longo do trajeto.
Apesar da dimensão do episódio, o prefeito ressaltou que não houve danos a pessoas ou risco imediato à população, mas reconheceu impactos ambientais significativos. Ele afirmou que o município irá cobrar providências e medidas concretas para evitar novos episódios semelhantes.
Em nota, a Vale informou que o extravasamento ocorrido na Mina de Fábrica, em Ouro Preto, não tem relação com barragens da empresa e que não houve impacto a pessoas ou comunidades. A mineradora afirmou ainda que comunicou os órgãos competentes e que as causas do episódio estão sendo apuradas. Segundo a empresa, todas as barragens da região seguem monitoradas e sem alterações em suas condições de estabilidade.
Os episódios ocorreram no mesmo dia em que Minas Gerais lembrou os sete anos do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, que deixou 270 mortos e causou um dos maiores desastres ambientais do país. Atos em memória das vítimas, manifestações por justiça e atividades no Memorial Brumadinho marcaram a data.
O processo judicial relacionado à tragédia deve avançar nos próximos meses, com o início da oitiva de testemunhas. A Vale, ex-executivos da mineradora e a consultoria responsável por laudos técnicos respondem a acusações que incluem homicídio qualificado e crimes ambientais.















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