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Trump confirma envio de frota ao Golfo Pérsico e Irã reage com ameaça militar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta quinta-feira (23) o envio de uma grande força naval americana ao Golfo Pérsico, em meio à escalada de tensões com o Irã. Segundo o republicano, a movimentação tem caráter preventivo e visa monitorar de perto as ações do regime iraniano. A resposta de Teerã foi imediata: líderes militares afirmaram estar “com o dedo no gatilho” diante de qualquer ação americana.


Marinha dos EUA
Marinha dos EUA

As declarações de Trump ocorrem cerca de uma semana após a imprensa internacional revelar o deslocamento do porta-aviões USS Abraham Lincoln e de seu grupo de ataque, que deixaram o Mar da China Meridional com destino ao Oriente Médio. A frota inclui destróieres, caças e aeronaves especializadas em guerra eletrônica.


— Estamos enviando uma grande armada para aquela região e veremos o que acontece. Preferimos que nada ocorra, mas estamos acompanhando tudo muito de perto — afirmou Trump, a bordo do Air Force One, durante o retorno de Davos, na Suíça, onde participou do Fórum Econômico Mundial.


Além do porta-aviões, os Estados Unidos também deslocaram dez aviões-tanque KC-135 para bases na Europa, que devem dar suporte a operações no Oriente Médio. Segundo o jornal Wall Street Journal, Trump considera os ativos navais decisivos para pressionar Teerã.

Reação iraniana

Em resposta, o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, general Mohammad Pakpour, alertou para possíveis “erros de cálculo” por parte de Washington e afirmou que as forças iranianas estão prontas para agir.


— Estamos mais preparados do que nunca para cumprir as ordens do líder supremo — declarou Pakpour, referindo-se ao aiatolá Ali Khamenei.


Outro comandante iraniano, o general Ali Abdollahi Aliabadi, reforçou o tom de ameaça ao afirmar que, em caso de ataque dos EUA, “todos os interesses, bases e centros de influência americanos” seriam considerados alvos legítimos.


Opções militares

De acordo com informações do WSJ, assessores do Pentágono e da Casa Branca vêm analisando diferentes cenários, que vão desde ataques pontuais a instalações da Guarda Revolucionária até opções mais amplas, incluindo a possibilidade de enfraquecer ou derrubar o regime iraniano. Ainda assim, autoridades americanas avaliam alternativas menos agressivas, como o aumento de sanções econômicas.


Os EUA mantêm atualmente oito bases militares permanentes e cerca de 12 instalações no Oriente Médio. Sistemas de defesa aérea Patriot e Thaad já estariam posicionados para responder a eventuais ataques, como ocorreu durante o confronto de 12 dias entre Israel, Irã e Estados Unidos no ano passado.


Apesar do tom duro, Trump afirmou que não descarta negociações.

— O Irã quer conversar, e nós conversaremos — disse o presidente, às margens do Fórum Econômico Mundial.



Contexto de instabilidade

A tensão entre os dois países permanece elevada desde a Revolução Islâmica de 1979. O atual impasse também está ligado à repressão do regime iraniano contra protestos internos. Segundo autoridades de Teerã, mais de 3 mil pessoas morreram desde o início das manifestações, embora organizações de direitos humanos indiquem que o número real pode ser maior.


Trump ainda não autorizou nenhuma ação militar direta contra o Irã, e a decisão final segue indefinida. Internamente, o governo americano também avalia se está preparado para uma eventual campanha militar prolongada na região.

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